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Angel Luzinha

Fotografia e o prazer de ser Mulher e Mãe por Paula Veiga Claro

Angel Luzinha

Fotografia e o prazer de ser Mulher e Mãe por Paula Veiga Claro

Sobre o racismo e a polémica camisola da H&M

11.01.18 | Paula Veiga Claro

Para mim é apenas uma simples sweatshirt vestida por um miúdo cheio de pinta MAS há quem não pense da mesma forma. Porquê? Porque vivemos num mundo onde impera o preconceito e a H&M publicou-a num modelo de étnica negra. A inscrição "coolest monkey in the jungle" incendiou de imediato as redes sociais e os ânimos entraram em ebulição. A marca já retirou a imagem do site, já emitiu um comunicado a pedir desculpa mas não se livra do escândalo. Enfim... ainda é longo o caminho por desbravar em termos de mentalidades.

Há quem diga que foi uma estratégia para gerar buzz e vendas (não acredito porque nenhuma marca quer andar na boca do mundo pelos piores motivos!), há quem a apelide de racista (não concordo, porque se fosse esse o caso nem escolhiam modelos de outras etnias para dar a cara pelas coleções) e ainda há quem diga que o departamento de marketing anda a dormir e fez asneira (também não me parece porque as marcas deste calibre não brincam em serviço!). 

E então, no que ficamos? Tenho para mim que a H&M, tal como a Benetton, a C&A e muitas outras, tudo têm feito para abolir preconceitos e afins. Têm percorrido um caminho sinuoso em prol da igualdade (basta recordar uma infinidade de campanhas e abrir os lookbooks para perceber que apostam em roupa para toda a gente, sejam brancos, pretos, amarelos, gordos, magros, novos e velhos) e, quando dão um passo maior que a perna (leia-se maior que as mentalidades) têm que arcar com o tiroteio que se instala nas redes sociais. SIM, porque as mentalidades evoluem muito lentamente e, enquanto houver seres humanos, nunca deixará de existir racismo e discriminação social, de género, de trabalho, de religião etc, etc, etc. 

Porquê? Porque a discriminação remonta à pré história. Não é preciso ser-se um génio em antropologia, sociologia ou psicologia para se constatar este facto. Diria que a discriminação é uma espécie de gene que envenena certas pessoas/mentalidades. Muito se tem feito para inverter o seu percurso, muito se tem conseguido MAS não se iludam porque nunca viveremos num mundo totalmente perfeito e igualitário. E olhem que eu até sou uma sonhadora nata mas, neste caso, sei que é um sonho inatingível. Resta-nos educar os nossos filhos nesse sentido e explicar-lhes que ninguém está acima de ninguém. É isso que tenho feito com a Rafaela e é com orgulho que a vejo crescer com respeito por todos. Aliás, quando entrou na escola, percebeu logo que há meninos que passam a vida a gozar com determinados colegas e que as crianças também são muito cruéis umas para as outras. A sua melhor amiga é chinesa e são tantas as vezes que a Rafaela sai em sua defesa porque há sempre um palhacinho pronto para lhe mandar bocas. A culpa é de quem? Dos pais que não educam os filhos de forma a respeitarem as diferenças. Uma criança preconceituosa será sempre uma adulto preconceituoso. Não podemos mudar o mundo de um dia para o outro mas o futuro está nos nossos filhos e na forma como os educamos, não tenham dúvidas.


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