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Angel Luzinha

Fotografia e o prazer de ser Mulher e Mãe por Paula Veiga Claro

Angel Luzinha

Fotografia e o prazer de ser Mulher e Mãe por Paula Veiga Claro

03
Jan19

O meu ano começa no hospital. Vai correr tudo bem!

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De quem é o pé pavoroso que está na foto???? É meu. Em criança os meus pais levaram-me a vários ortopedistas porque já se percebia que tinha uma deformação mas, como estava em fase de crescimento, nenhum quis avançar com uma cirurgia. Enfim, eram outros tempos, a medicina não estava tão avançada e um ortopedista até me chegou a dizer que "quem torto nasce, tarde ou nunca se endireita". Todos me recomendaram que usasse uma esponja entre os dedos para evitar que o problema se agravasse porque não havia mais nada a fazer. SIM, há 40 anos nem havia os separadores em silicone que há hoje, por isso, fui usando a bela da esponja e deixei de me preocupar com o assunto porque a deformação era ligeira. Fui crescendo, o meu pé direito nunca foi de Cinderela mas aprendi a conviver com ele porque não me incomodava minimamente. Conseguia usar todo o tipo de calçado (mas os ténis sempre foram a minha perdição!) e no verão adorava pintar as unhas e andar de sandálias. A deformação parecia ter estagnado mas, a partir dos 35 anos, POW!! Começou a agravar-se e passei a ter sérias dificuldades em comprar calçado. O joanete aumentou brutalmente e o dedo grande começou a ficar todo torcido e a sobrepor-se. Deixei de usar sandálias e certo tipo de botins (tudo me magoa, é horrível!) e passei a ter vergonha do meu próprio pé. Mal sabia eu que o problema ia piorar drasticamente a partir dos 40...

 

Ahhh pois! O ano passado a deformação atingiu este estado, comecei a ter dores e uma necessidade imensa de contrariar o tendão. Passei a usar um separador grande de silicone entre os dedos durante o dia e uma ligadura ortopédica à noite mas, mesmo assim, o dedo grande já não se consegue aguentar direito. O osso exerce uma força imensa no tendão e a articulação está a ficar arruinada. Nas aulas de yoga até já tenho dificuldade em fazer certas posturas porque o pé chega a um ponto em que não dobra mais. E para comprar calçado? Vou-me safando na ara mas, nas restantes marcas, é um inferno! 

 

A modos que, comecei a pensar seriamente em ir à faca (apesar de toda a gente me dizer para não o fazer porque a recuperação é um horror!). Consultei mais dois ortopedistas mas nenhum deles me inspirou confiança, até que a Rafaela partiu o braço e as nossas vidas se cruzaram com o Dr. Luís Correia do Hospital da Luz. Nesse momento percebi que nada acontece por acaso, ou seja, foi preciso a Rafaela partir o braço pela segunda vez para eu encontrar (finalmente!) um ortopedista à altura das minhas espetativas. Ele fez um trabalho cinco estrelas com o bracinho dela e em outubro, quando lhe tirou o gesso, aproveitei a consulta e mostrei-lhe o meu pé. Nunca mais me esquecerei desse momento. Mal me descalcei, olhou-me nos olhos e perguntou-me no seu tom seguro e sereno: "Como é que a senhora deixou o seu pé chegar a este ponto?".

 

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Nesse momento contei-lhe o meu percurso e disse-lhe que:

 

Sempre tive um pé feio mas só a partir dos 40 anos é que começou a doer-me e a complicar-me a vida.

Tenho consultado vários ortopedistas mas nenhum me transmitiu a confiança necessária para avançar com uma cirurgia. 

Trabalho por conta própria e não posso estar muito tempo parada porque se não trabalhar, não ganho!

 Até ao momento toda a gente me tem dito para esquecer a cirurgia porque a recuperação é complicada e, passado uns anos, o pé pode voltar a ficar deformado. 

 Por último... tenho medo, muuuuito medo! E se alguma coisa corre mal e fico aleijada? Como é que eu vou conseguir viver sem fazer desporto e andar em condições?? Quem me conhece sabe que tenho bichos carpinteiros e que estar parada nunca será a minha onda!

 

Ele olhou para mim, sorriu e disse que se eu não me tratar é isso que vai acontecer. Com a idade tudo se agrava e o meu caso é preocupante porque também já tenho o tendão afetado. A articulação já não está a funcionar a 100% e, se a situação não for corrigida, a articulação vai acabar por morrer e gerar artroses. E depois? Depois lá se vai a minha agilidade e liberdade de movimentos (adeus qualidade de vida!).

 

Nesse momento lembrei-me logo da minha tia A que sempre se queixou dos pés (isto é de família). Com quarenta e poucos anos já estava cheia de artroses mas nunca se tratou porque os tempos eram outros. Lembro-me de olhar para os pés dela e ficar horrorizada!  Hoje tem 80 e tal anos (e uma saúde de ferro, é uma mulher incrível!) mas o raio dos pés limitam-lhe o percurso porque estão feitos num oito.

 

A modos que, nesse dia, a Rafaela tirou o gesso do braço e eu segui logo para o raio-x.  Passei a ser acompanhada pelo Dr. Luís Correia e a cirurgia está marcada para amanhã. Ano novo, grandes resoluções. Sei que o pós operatório não vai ser pera doce mas prefiro sofrer umas semanas do que penar o resto da vida. Que a força e a agilidade estejam sempre comigo!

 

Vai correr tudo bem. Quem torto nasce também se pode endireitar!

(mas estou nervosa, muito nervosa... esta noite já nem dormi em condições... só quero que amanhã chegue rápido!)

 

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