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Angel Luzinha

Fotografia e o prazer de ser Mulher e Mãe por Paula Veiga Claro

Angel Luzinha

Fotografia e o prazer de ser Mulher e Mãe por Paula Veiga Claro

20
Mar20

Coronavírus e gravidez: O que as grávidas precisam de saber sobre o COVID-19

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As mulheres grávidas ou em tratamento de fertilidade não parecem ser mais suscetíveis às consequências do coronavírus do que a população em geral e, segundo informação do Royal College of Obstetricians and Gynaecologists de Inglaterra, espera-se que a grande maioria das grávidas sofra apenas sintomas leves ou moderados do tipo resfriado ou gripe. No entanto, um aspeto sobre o qual muito pouco se fala é a ansiedade na saúde, o que esta sobregarca de informação, preocupação e medo, que todos nós sentimos quando existe um vírus sobre o qual pouco se sabe a percorrer o mundo, pode fazer. Esta ansiedade em relação à nossa saúde, à saúde dos outros e, em particular, no caso das grávidas em relação ao seu estado e ao seu bebé, é bem real e pode mesmo ser exacerbada se já viver num estado de stress ou ansiedade diários. Tudo isto vai sem dúvida afetar o sistema nervoso e, consequentemente, o sistema imunitário.

Por isso mesmo, tendo em conta que sou seguida por muitas mães (e que até tenho o privilégio de fotografar tantas barrigas de amor), aproveito para partilhar os esclarecimentos da querida Susana Lopes, com o intuito de ajudar as futuras mães a equilibrar o seu estado de incerteza e insegurança sobre o COVID-19, e os seus efeitos na gravidez. Susana Lopes é educadora pré-natal e professora de yoga. É fundadora do Programa Gravidez Sem Stress para ajudar as gestantes a melhor controlarem o stress do dia-a-dia e conectarem-se profundamente com o seu bebé, autora do livro Yoga e Maternidade, membro da APPPAH (Association for Prenatal and Perinatal Psychology and Health) e proprietária de um estúdio de yoga na Noruega.

Qual o efeito do coronavírus nas mulheres grávidas?
Há muitas perguntas sem resposta ainda sobre as alterações imunológicas que ocorrem à medida que a gravidez progride e a interação entre infeção, gravidez, placenta e feto. Segundo um estudo sobre Gravidez e Infeção publicado no New England Journal of Medicine, a evidência de que existe uma maior suscetibilidade das mulheres grávidas às infeções no geral é bastante fraca. Em relação ao COVID-19, os sintomas mais graves, como pneumonia, parecem ser mais comuns em pessoas mais velhas ou com sistema imunológico enfraquecido, e não existem relatos de mortes de mulheres grávidas por coronavírus. Pessoas com doença cardíaca ou pulmonar subjacente, como asma, são também parte do grupo de risco no caso de contraírem o coronavírus. Mas não esqueça que este é um vírus novo, por isso estamos todos a começar a aprender mais sobre ele.

Que efeito o coronavírus pode ter no bebé, caso a grávida seja diagnosticada com COVID-19?
Até ao momento não existem evidências de que o vírus possa passar para o bebé enquanto estiver grávida, portanto, é improvável que o mesmo possa causar qualquer anomalia no bebé. Alguns bebés nascidos de mulheres com sintomas de coronavírus na China nasceram prematuramente, mas não está esclarecido se isso aconteceu por causa do vírus ou por decisão médica. Não existem também evidências em como o coronavírus pode afetar a maneira de dar à luz. No entanto, se sua condição respiratória for afetada, pode ser necessário um parto urgente ou recomendado uma cesariana. O seu bebé pode também ser testado ao coronavírus no momento do nascimento.

O que posso fazer para reduzir o risco de contrair coronavírus?
Deve seguir todas as orientações da Organização Mundial da Saúde e do seu país. O mais importante é sem dúvida lavar as mãos com regularidade e eficácia, assim como praticar o distanciamento social. Se achar que pode estar infetada deve contactar o número nacional de assistência, o seu médico obstetra ou midwife.

Poderei estar pele com pele com o meu bebé e amamentar se houver suspeita ou confirmação de coronavírus?
Existem alguns relatos da China que indicam que as mulheres com coronavírus foram aconselhadas a separar-se do bebé por 14 dias. No entanto, isso pode ter efeitos negativos na ligação de ambos e na alimentação do bebé, por isso os riscos/benefícios devem ser considerados por si, pelo seu médico e pediatra, sendo cada caso um caso em particular. Até ao momento não existem evidências de que o vírus possa ser transmitido pelo leite materno, e os benefícios do leite materno são sobejamente conhecidos, por isso, deve seguir as indicações para superar qualquer risco de transmissão do coronavírus ao seu bebé, que nada tem a ver com o leite materno.

Como posso manter-me informada sobre o COVID-19 sem a ansiedade que afeta a minha gravidez?
Mais não é necessariamente melhor. Melhor qualidade sim. Converse com o seu médico, obtenha informações personalizadas para a sua situação específica e tome decisões em conformidade. Confie apenas em fontes credíveis e feche todos os outros canais de informação, incluindo pessoas que possam estar a aumentar a sua ansiedade.

Não estou assim tão preocupada mas não consigo parar de ler sobre isto, não se fala noutra coisa!
Isso é que deve evitar, quando nós não somos as autoras das nossas decisões e apenas reagimos ao mundo que nos rodeia, o nosso corpo começa a trabalhar em modo de sobrevivência. Isso não é bom para a nossa saúde, acumula stress e ansiedade, preocupação, irritabilidade ou frustração. Quando não estamos num estado reativo, nós escolhemos o que lemos, o que vemos, quando vemos, e o que pensamos sobre o assunto, somos levadas a escolher o que é mais confortável e seguro para o nosso corpo, para as nossas emoções, e para o nosso bebé. A gravidez ou a passagem por um tratamento de fertilidade é um estado de maior sensibilidade e deve ter isso em atenção.

Vou estar em casa, pelo menos, durante 2 semanas o que devo fazer?
Não esqueça que é uma mãe única e especial e merece que cuide bem de si. Seja gentil consigo, com seu corpo e com seu bebé. Diga a si mesma o quanto é especial. Dê a si e a seu bebé tempo para relaxar, para comunicarem e conectarem-se um com o outro. Leia um livro, sinta-se inspirada pela natureza ou apenas beba um bom chá. Mais importante que tudo é conduzir o seu corpo e as suas emoções. Parece conveniente receber mais informação neste momento? Ou precisa de alguns minutos ou horas para voltar a sentir-se segura no seu corpo e tranquila nas suas emoções? Vivemos num mundo tecnológico e existem muitas opções online que a podem ajudar a iniciar uma prática de yoga adaptada à gravidez, através de técnicas suaves de alongamento, respiração, relaxamento e meditação que vão ajudá-la a sentir-se mais calma, relaxada e impulsionar o seu sistema imunológico. Está cientificamente comprovado que o yoga ajuda a manter as células saudáveis e isso acontece porque o yoga ajuda a reduzir o stress físico, reduzindo também a inflamação em geral. Menos inflamação significa que seu corpo está a trabalhar e a defender-se da maneira que deveria ser. Não esqueça que temos ansiedade sobre a nossa saúde não por termos acesso a mais informação, mas sim por sentirmo-nos inseguros nos nossos corpos e no nosso ambiente. Restaure a segurança do seu corpo, oiça a sua voz interior e intuição materna, e será muito mais fácil tomar as decisões para manter-se a si, ao seu bebé e à sua família em segurança.

Obrigada Susana. Tenho a certeza que as tuas palavras vão ser úteis a quem está a passar por uma gravidez em tempo de "guerra".

#stayhome #staysafe #juntosvamosvencer

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