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Angel Luzinha

Fotografia e o prazer de ser Mulher e Mãe por Paula Veiga Claro

Angel Luzinha

Fotografia e o prazer de ser Mulher e Mãe por Paula Veiga Claro

15
Jan19

Cirurgia ao joanete - Cirurgia e pós operatório

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Na sexta feira fez uma semana que fui operada pelo Dr. Luís Correia ao meu joanete de estimação (o meu hallux valgus, em linguagem mais técnica) e só vos posso dizer que foi das melhores decisões que já tomei! Isto só demonstra que nada acontece por acaso, ou seja, foi preciso a Rafaela partir o braço pela segunda vez para eu encontrar (finalmente!) um ortopedista à altura das minhas expetativas (aliás, já vos expliquei o meu longo percurso aqui). E hoje aproveito para fazer um ponto de situação porque tenho recebido imensas perguntas sobre a cirurgia e o pós operatório. Muitas de vocês disseram-me que também sofrem do mesmo problema e querem saber como é que isto está a correr para ver se ganham coragem. A verdade é que cada caso é um caso, ou seja, o pós operatório depende de vários fatores:

 

- Do médico que nos acompanha. Se estivermos nas mãos de um bom profissional estamos safas!

- Da nossa idade (pelas razões óbvias)

- Do nosso peso e condição física. Ser-se leve, ágil e saudável é meio caminho andado para um pós operatório menos doloroso. Quem tem excesso de peso e um estilo de vida sedentário terá muito maior dificuldade em recuperar, em fazer a sua higiene pessoal e em movimentar-se durante este período. O excesso de peso e o sedentarismo não favorecem as articulações, os ossos, os músculos.... nem coisa nenhuma!

- Da medicação e dos cuidados que o médico nos prescreve (é para cumprir tudo à risca)

- Da nossa mente. SIM, uma mente positiva atrai boas energias e isso é meio caminho andado para vivermos estes dias de prisão domiciliária sem stresses. 

 

No meu caso, posso dizer-vos que o pós operatório está a decorrer lindamente. O dia e a noite após a cirurgia foram horríveis mas depois tudo melhorou. Aliás, neste post vou fazer uma espécie de diário de bordo. Aqui vai:

 

Dia 4 de janeiro (sexta feita): Fui operada às 8h00 da manhã pelo Dr. Luís Correia no Hospital da Luz. Nas duas noites anteriores não dormi nada porque estava mega nervosa. Sou ansiosa por natureza e, nestas situações, os bichos carpinteiros que vivem dentro de mim ficam elétricos! Quando entrei no bloco operatório foi-me ministrada a anestesia (epidural com sedação para ficar a dormir e não ouvir nada). Há quem opte por anestesia geral mas eu não quis porque é muito mais forte, tem mais riscos associados e eu não me dou bem com drogas e anestesias. A cirurgia demorou uma hora e eu acordei no fim, quando o médico me estava a coser. Perguntei-lhe logo se tinha corrido tudo bem e ele respondeu-me afirmativamente. A seguir fui para o recobro onde estive 2 horas. Aconselharam-me a manter a cabeça deitada para não ficar mal disposta mas eu sentia-me porreira e passei a manhã toda a levantar a cabeça para ver o que se passava em redor. Até elevei um bocado a cabeceira porque não me sentia confortável com a cabeça baixa. Por volta das 13h00 levaram-me para o quarto e continuei porreira da vida. Estava esfomeada, mega drogada, não me doía nada e passei o dia deitada e enfiada numa estrutura que colocaram na cama para evitar que os lençóis tocassem no pé (é como se estivesse deitada num túnel. Podem ver as fotos no  Instagram nos destaques do stories). Os pés da cama estavam elevados e o meu pé estava envolvido numa bolsa de gelo. Passei o dia acordada, não consegui dormir, estava bem disposta e esfomeada! Tinha uma fome horrível mas, só à tarde, é que me deram um chá e umas bolachas porque não convém comer após as cirurgias/anestesias. A modos que lá me entreti com o telemóvel até à hora de jantar. Devorei o creme de legumes e o peixinho (estava ótimo!) e continuei deitada no meu túnel, mas sempre com a cabeça de um lado para o outro porque o sono não chegava. Estar sossegada não é de facto a minha onda!!!! E como é que eu ia à casa de banho?? Não ia. Fazia tudo numa arrastadeira porque só estava autorizada a levantar-me no dia seguinte. Por volta das 22h00 o Dr. Luís Correia fez-me uma visita (é um médico deveras preocupado e empenhado)  e explicou-me que também teve que colocar três parafusos para fixar o osso e garantir o alinhamento que, no meu caso, estava muito longe do correto. Perguntou-me como é que eu me sentia e eu disse-lhe que estava super feliz por ter resolvido (finalmente!) este problema de infância e agradeci-lhe, mais uma vez, por tudo. Perguntou-me se tinha dores e eu respondi-lhe "Fui operada ao pé mas a única coisa que me dói é a cabeça! Sinto-me zonza e exausta mas não consigo dormir".

"É normal que se sinta assim por causa da anestesia. Convém manter a cabeça sossegada e deitada para não agravar os sintomas. Vejo que continua muito ansiosa e isso não ajuda! Correu tudo bem por isso só tem que relaxar e descansar. Amanhã de manhã já se pode levantar com a ajuda da Sra Enfermeira e fazer a sua higiene pessoal. Mas depois volte a repousar. Amanhã terá alta mas não tenha pressa. Almoce primeiro, relaxe e vá com calma"

A seguir despediu-se e eu fiquei a contar carneiros... se em casa durmo mal, quanto mais num hospital! Não tomei o meu ansiolítico (tomo metade de um comprimido todos os dias ao jantar) mas optei por não o fazer porque detesto drogas e naquele momento sentia-me enfrascada em medicamentos. Não preguei olho. Por volta da meia noite comecei a ter dores e o inferno instalou-se! Parece que tinha um cão a roer-me o osso. Passei a noite a chamar a enfermeira e a levar drogas mas o pé latejava! Para além disso, tinha a cabeça a explodir de cansaço. Sentia-me super zonza e tinha um frio terrível (quando a Rafaela nasceu foi igual! O meu corpo nunca gostou de drogas e anestesias!). Na cama tinha uma colcha e dois cobertores, o quarto estava super aquecido mas eu continuava gelada. A enfermeira foi-me controlando os sinais vitais (estiveram sempre impecáveis) e eu ainda lhe pedi mais um cobertor mas... nem pensar! Ela disse-me logo que não podia aumentar o aquecimento porque seria prejudicial. E foi assim a primeira noite após a cirurgia, um horror!

 

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Dia 5 de janeiro (sábado): Não vou dizer que acordei porque nunca cheguei a dormir! De manhã sentia-me um lixo humano. Não dormia há 3 noites e estava super agoniada e enjoada (cansaço extremo). As dores entretanto suavizaram e o Dr Luís Correia visitou-me bem cedo. Encontrou uma Paula rabugenta e queixosa (coisa que não é comum na minha pessoa!) mas tranquilizou-me, ajeitou-me o pé e disse-me que eu só precisava de descansar para me sentir melhor. Trouxe o documento da alta com os cuidados a ter no pós operatório e as receitas com as drogas para os próximos dias (antibiótico, anti inflamatório, analgésico e um SOS caso tivesse dores muito fortes). A seguir despediu-se e eu fiquei ao cuidado da enfermeira que tinha acabado de chegar para me ajudar a levantar. Contudo, eu disse-lhe que preferia tomar o pequeno almoço antes de me levantar porque estava zonza e esfomeada (eu sou assim, de manhã tenho sempre uma fome de leoa!). Trouxeram-me leite, pão e um croissant mas eu pedi para trocarem o leite por chá (de manhã bebo sempre chá). Devorei tudo e ainda pedi mais um chá e um croissant. Disseram-me para comer devagar mas eu não me controlei e trinquei tudo em segundos (estava mesmo faminta!). A seguir a enfermeira ajudou-me a levantar, calcei o sapato Barouk pós operatório e caminhei até à casa de banho. Felizmente não cheguei a precisar de muletas porque sou leve e tenho muita agilidade e equilíbrio (vantagens de praticar yoga). O pé doía-me mas as dores eram perfeitamente suportáveis. O pior eram as náuseas e os vómitos!! Assim que cheguei à casa de banho vomitei o pequeno almoço. Nesse momento comecei a ver tudo à roda e o cansaço apoderou-se totalmente de mim. A enfermeira encaminhou-me até à cama e ali fiquei completamente prostrada. Tinha tanto sono que não conseguia manter os olhos abertos mas... também não conseguia dormir! Passei o resto da manhã deitada e, por volta das 13h00, quando chegou o almoço, sentei-me na cama e comi tudo até à última migalha (o apetite mantinha-se!). A seguir liguei ao meu marido e disse-lhe que já me podia vir buscar. Estava desejosa de ir para casa e dormir, dormir, dormir. Quando ele chegou, por volta das 15h00, já eu estava sentada na poltrona do quarto (mas continuava tãããão agoniada). Sentia a cabeça à roda e POW! Desatei a vomitar e lá se foi o almoço. Escusado será dizer que já não me deixaram sair. Deram-me de imediato uma injeção para as náuseas e puseram-me a soro novamente (mas desta vez com glicose). E foi assim que melhorei e me vi livre daquele mau estar terrível. Por volta das 18h30 vim para casa (vim pelo meu pé, não precisei de muletas nem de cadeiras de rodas) e, enquanto o meu marido foi à farmácia aviar a receita, a Rafaela ajudou-me a meter na cama e consegui descansar (era tudo o que eu queria!!!!). Durante a noite tive dores mas nunca recorri ao SOS. Eram suportáveis. Ou então sou eu que aprendi a relativizar a dor porque já passei por situações de dor extrema. Quando estive grávida dos gémeos e os perdi aos 5 meses de gestão sofri horrores quer a nível físico, quer a nível psicológico. Foi uma gravidez terrível, estive sempre em repouso e corri risco de vida (registei tudo aqui, podem ler se quiserem... eu prefiro nem recordar). E o pós parto da Rafaela também não foi pera doce! Ela nasceu de parto natural com ventosa e eu fui cosida até às entranhas, ou seja, a recuperação foi do caraças (mas a felicidade de a ter nos braços superou tudo!).

 

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Dia 6 de janeiro (domingo): Acordei super bem disposta mas passei o dia deitada para continuar a pôr o descanso em dia. Só me levantei para comer e ir à casa de banho. Quando colocava o pé no chão doia-me e parecia uma pata choca a andar. À noite ainda tive umas dores ligeiras.

Dia 7 de janeiro (segunda): Passei o dia bem disposta e deixei de tomar os analgésicos porque as dores eram ligeiras e eu odeio enfrascar-me de medicamentos (mas continuei a tomar o antibiótico e o anti inflamatório até à data que o médico indicou). De manhã estive deitada mas depois de almoço passei para o sofá porque já não aguentava estar na cama. À noite já não tive dores. 

Dia 8 de janeiro (terça): Acordei cheia de energia e super feliz! Porquê? Porque já não tive dores durante a noite e comecei a deambular pela casa com a ajuda do sapatinho jeitoso. Nesse dia, fiz a cama, arrumei o quarto e mudei-me para a minha secretária. Coloquei o pé em cima de uma cadeira, cobrio-o com gelo (é importante mantê-lo sempre fresco e elevado para não inchar) e comecei a aproveitar a minha "prisão domiciliária" para me organizar mentalmente, traçar o plano de trabalho para 2019 e pôr o blog e o YouTube em dia. 

 

Os dias seguintes foram sempre a melhorar. Não sai de casa e cumpri tudo à risca, ou seja, tomei a medicação (com exceção dos analgésicos porque nã precisei), alternei o repouso com pequenos passos, mantive o pé elevado, apliquei gelo e dormi com o pé em cima de uma almofada e debaixo de uma estrutura para os dedos não tocarem nos lençóis.

 

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Passado uma semana, ou seja, no dia 11 de janeiro (sexta feira) saí de casa pela primeira vez após a cirurgia. Foi dia de mudar o penso e de consulta de avaliação. Escusado será dizer que estava numa excitação porque há uma semana que estava fechada e ia ver a minha patinha pela primeira vez. Caminhei pela calçada até ao carro mas o frio que estava na rua meteu-se logo no osso! Para além disso, a calçada portuguesa também não facilita a vida de quem coxeia. Ahhh pois, as irregularidades são mais que muitas e uma pessoa tem que ir com mil olhos para não se estatelar no chão. Mas cheguei ao carro sã e salva e o meu marido lá me levou até ao hospital (não poder conduzir é a coisa que mais me chateia neste pós operatório!). Vamos lá ver como é que ficou o meu pé :)

 

ANTES da cirurgia

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DEPOIS da cirurgia

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Cortaram o osso, fixaram-no com três parafusos e transpuseram o tendão. Sei que a imagem até vos pode chocar (parece o pé do Frankenstein!) mas não se assustem porque está tudo impecável. O amarelo é do betadine e os hematonas são normais após qualquer cirgurgia. Da minha parte só vos posso dizer que estou MEGA FELIZ! O tendão foi transposto e o osso foi cortado e fixado com três parafusos. Finalmente tenho um pé funcional, direito e saudável. Nunca na vida tive o pé assim! O  meu marido, assim que o viu, exclamou: "Está mais bonito agora, mesmo roxo e inchado, do que estava anteriormente!". Sem dúvida! Adeus osso e tendão mega deformados. O verão que me aguarde porque este ano vou usar e abusar das sandálias :) 

 

Na próxima quinta feira (dia 17) tiro os pontos e depois tenho que continuar com muita paciência porque só no fim de janeiro/inicio de fevereiro é que vou largar o belo do sapato Barouk. Não vejo a hora de voltar ao trabalho, à condução e ao ginásio mas é preciso ter calma. Vale mais perder agora um mês e ficar fina do que precipitar-me e estragar este trabalho fantástico. Quando tirar o sapato, volto a calçar os meus ténis e lá vou eu à minha vida! Não sei se chegarei a precisar de umas sessões de fisioterapia, não faço ideia... isso só saberei quando chegar a altura. 

 

Algumas de vocês também me perguntaram valores. Não é uma cirurgia barata, a fatura foi de 4.500€ mas eu só paguei 10% desse valor, ou seja, só paguei 450€ porque tenho um bom seguro de saúde. Há 13 anos que tenho este seguro e não abro mão dele. A vida é feita de prioridades e, para mim, a saúde vem sempre em primerio lugar. 

 

A modos que é isto! Espero ter esclarecido as vossas dúvidas e encorajado-as a fazer o mesmo. Eu levei tantos anos para avançar (pelas razões que já vos apresentei aqui) mas, assim que encontrei o médico certo, não hesitei e estou mesmo feliz. É o tipo de cirurgia que devemos fazer enquanto somos jovens e ágeis porque, depois de velhas, a recuperação é penosa. Para o mês que vem faço 43 anos e já vou andar por aí com o meu pé novo (nem acredito!!!).

 

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