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Angel Luzinha

Fotografia e o prazer de ser Mulher e Mãe por Paula Veiga Claro

Angel Luzinha

Fotografia e o prazer de ser Mulher e Mãe por Paula Veiga Claro

Cicatrizes

29.11.11 | Paula Veiga Claro
Faz hoje 5 anos que perdi os meus gémeos.
Não foram só eles que morreram. Uma partede mim também morreu.

Foi uma gravidez que me deixou marcasprofundas. A partir desse momento nunca mais fui a mesma. A minha visão davida mudou por completo. A minha maneira de estar na vida mudou por completo. Aminha lista de prioridades alterou-se por completo. Os meus sonhos e os meusobjectivos alteraram-se por completo. Senti na pele que a vida é de facto muitocurta e que de um momento para o outro tudo acaba. Aprendi a dar valor ao querealmente tem valor. Aprendi a enfrentar os problemas da vida com um sorrisonos lábios porque para tudo há uma solução. Só a doença e a morte não têm solução.

Aprendi atirar o melhor partido das situações menos boas com que a vida nos surpreende. É uma regra de ouro para sermos felizes porque a vida pareceestar feita de uma maneira em que nuncaestamos 100% felizes mas também nunca estamos 100% na lama.

Ora temosdinheiro mas não temos tempo para usufruir dele, ora temos tempo mas não temos dinheiro, ora temos emprego mas nãotemos tempo para a família, ora temos tempo para a família mas não temosemprego, ora temos finalmente uns dias de férias e os filhotes resolvem ficar doentes, etc, etc, etc.

Mas a vida éassim. Temos sempre a sensação que falta algo para sermos totalmente felizes eacabamos por não dar o devido valor ao que temos.  E não tenho dúvida de que o nosso maiorobstáculo é a nossa cabeça... é contra ela que temos que lutar. A nossa cabeçatem que ser dominada porque tem uma capacidade imensa para nosdestruir.

E a vida vai-nosmoldando. As alegrias e as tristezas vão-nos tornando pessoas diferentes. Amadurecemos, crescemos, envelhecemos... chamem-lhe o que quiserem, eu chamo-lhe apenas mudança. Mas nós humanos somos estúpidos porque sópercebemos o real valor da vida quando passamos por uma situação limite.

A minhaprimeira gravidez marcou-me para sempre. Corri risco de vida masfelizmente Deus quis que eu ficasse. Foi uma gravidez horrível... um euromilhões do azar como disse o médico. Eu, uma pessoa super saudável, dona de uma saúde de ferro e de uma energia estonteante vi-me subitamente numa situação aterradora. Uma situação que só acontece 1 em 1000!!... e senti na pele que o mal não acontece só aos outros. Já falei várias vezes neste assunto masfalar faz bem pois é uma forma de exorcizarmos os nossos medos.

O calvário daminha primeira gravidez fez com que eu seja a mãe e a pessoa que sou hoje. Háfantasmas que ficam para sempre e o medo da perda acaba por ser constante. Todosos pais temem perder os filhos e este sentimento ainda está mais presente nocoração daqueles que já passaram por experiências traumáticas.

Eu não tenho vergonha de dizer que sou uma mãe galinha, uma mãe protectorae medrosa. SOU. Não sou galinha no sentido de colocar a minha filha numaredoma, isso não! Mas sou galinha porque estou sempre presente. A Rafaela farta-se de passear, farta-se de brincar na rua, sobe às árvores, mexena terra, enfia-se na água, anda de bicicleta, trotineta, brinca por todo olado, dou-lhe o máximo apoio para ir sempre mais longe, mas tenho que estarsempre junto dela. Fomento o seu espírito aventureiro, ensino-a a não desistir e a lutar pelo quequer (e nisso ela é mestre pois tem uma personalidade muito forte e é muitosenhora das suas vontades!). Mas eu sou uma espécie de anjo da guarda. Costumodizer que ela quando está comigo está com Deus porque eu não lhe tiro os olhosde cima. Sou a rede de protecção, não a proíbo de nada mas explico-lhe osperigos inerentes a cada acto.
E por vezes, graças à sua teimosia, aprende da pior forma pois acaba por se magoar e diz "Afinal tu tinhas razão mamãzinha!".


Enfim... mas dou por mim a pensar como é que vou reagir quando ela formaior e eu já não possa estar a seu lado para a proteger, para lhe fazer ver as coisas? Vai sercomplicado para mim pois eu sou demasiado preocupada com os que amo... mas osfilhos crescem... por isso o meu dever, o meu objectivo contínuo é dar-lhe boas bases para quefuturamente saiba enfrentar a vida e os perigos.

E eu tenhoque controlar a minha cabeça e o meu coração para lidar com os meusmedos... senão uma pessoa fica maluca porque quando temos um filho o nossocoração passa a andar sempre fora de nós.

Educar um filho não é nem nunca será uma tarefa fácil. Errar é humano... lidarcom os sentimentos não é fácil... lutar contra os nossos medos não é fácil...gerir o conflito entre razão e coração não é fácil. Mas a vida é assim. Cada umde nós tenta ser o melhor pai/mãe que nos é possível ser.