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Angel Luzinha

Fotografia e o prazer de ser Mulher e Mãe.

Qui | 21.12.17

A verdade sobre o Pai Natal

Paula Veiga Claro

Este ano o nosso Natal vai ter metade do encanto. Porquê? Porque chegou o momento da verdade, o momento em que a bolha da ilusão rebenta e deixa a descoberto a realidade. Tenho para mim que a Rafaela queria acreditar no Pai Natal eternamente (como eu!) mas em maio deste ano tivemos que lhe contar a verdade (aquando das celebrações das aparições de Fátima). Estávamos na cozinha e ela saiu-se com esta: "Acho que os milagres são como o Pai Natal. Há pessoas que acreditam e há outras que dizem que é tudo mentira! Eu acredito no Pai Natal, ele até já me escreveu uma carta a provar que existia mas os meus colegas dizem que é tudo mentira. Eles não acreditam e estão sempre a dizer-me que são os pais! Não é verdade, pois não mamã? Vá lá, diz-me a verdade por favor!".

Já me tinha feito esta pergunta quinhentas vezes mas desta vez olhou-me nos olhos de uma forma tão adulta que me deixou sem margem para dar a volta. Na opinião do pai já lhe devíamos ter contado a verdade há mais tempo mas eu nunca concordei porque sou uma criança em estado adulto e se há coisa que preso é a magia e a inocência. Aliás, para mim esse é o maior encanto desta época e da vida! O meu Natal perdeu a magia quando os meus pais me contaram a verdade (tinha eu 10 anos) mas consegui recuperar uma parte dela no momento em que fui mãe. Através da Rafaela passei a reviver essa fantasia e foi com as lágrimas nos olhos que lhe contei a verdade (custou-me horrores, a sério!). Nesse momento senti a magia do Natal abandonar-me definitivamente. Aliás, custou-me muito mais a mim do que a ela que aceitou a verdade sem qualquer mágoa. No fundo, foi a confirmação daquilo que já suspeitava. O ano passado a coisa já não tinha corrido muito bem porque o Pai Natal não se deixou ver como ela tanto pediu na carta que lhe escreveu (podem ver o vídeo que publiquei no facebook). Bebeu o leite, deixou os presentes e um bilhete a explicar que gosta muito dela mas que não pode parar para conversar porque tem que chegar a horas a todas as casas... ela compreendeu mas ficou tristíssima.

Em suma, estava na hora da verdade. Já não havia forma de dar a volta às perguntas que fazia nem à frustração que sentia por não conseguir ver e conversar com o verdadeiro Pai Natal (porque esses que estão nos shoppings só andam aqui a enganar as crianças, dizia ela!). E foi em maio deste ano que surgiu essa oportunidade. Reforçámos a ideia de que nunca lhe mentimos mas que o Pai Natal é como a Fada das Chuchas ou como a Fada dos Dentes. São fantasias que tornam a infância ainda mais mágica (como os filmes da Disney) e que permitem aos pais reviver esse encanto através dos filhos. Para além disso, o espírito do Natal reside no calor daqueles que mais amamos e não nos presentes e nas futilidades do mundo material.

A modos que este ano já não vamos ao correio enviar a carta... nem vamos ter uma miúda em delírio a correr pela casa à procura do Pai Natal (eram momentos deliciosos, únicos, extraordinários!) mas o que importa é que anda radiante mesmo sem Pai Natal! Foi connosco comprar o presente que tanto queria (depois mostro) e anda aqui num entusiasmo brutal a contar os minutos para os avós chegarem do Alentejo porque este ano a Consoada será em nossa casa.

Resumindo, o Pai Natal não existe mas a verdadeira magia reside nas crianças e na luz única que emanam. Sem elas o Natal e a vida nunca teriam o mesmo encanto ♥ (e a eterna criança aqui em casa sou eu!)

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